quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Radish tear



I’ll probably try
everything
over and over
just to make sure
I achieve the finest
failure.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

καρότο




There’s nothing left;
the filthy floor,
rubber bands, lemon
juice and a bunch of
burnt spoons.
I find my way through
the doorsteps and
cuddle with this warworn
pillow. the blankets
have never been tidy, I know;
but so doesn’t my heart.  the
dilapidated eye of god is the
thorn under my chin; acres of
silence and a shallow well; 
should I be good?
[The loveliness of the question mark,
 like the fragmented body of  a muse]. 
 
I hold my mouth; stop my hands
from moving around your neck;
my lips from blossoming
a whole new way of kissing.
I draw a tree with a bird
and swallow the smoke
of the last cigarette.
a wildfowl dances
under the double-edged
knife I keep inside
my left lung; a flute
which is not meant to be
played. an abandoned
factory of bauble.

Tonight I disappear;

and Chopin goes on
playing as if he knew
I was supposed to.
as he had predicted
the uselessness of my
soul and body for love
purposes
 already.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

the inconvenient lettuce



and suddenly
a smile;
a conceptual
experience of
love and
consternation. 

a broken windmill;
the ramshackle
condition of my
hands revealing
the inability to
embrace;
to flourish like
phoenix
again
and make
death trustworthy.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

bossanova


um coração partido
já não dança, já não
abraça, já não procura
nos olhos a verdade
sobre o silêncio.
é uma música desajeitada
para ninguém. um auditório
vazio e desarrumado
a fazer eco durante a noite.
um café vazio e o som
do exterminador de insectos;
os lábios de dentro para fora,
como o gume de uma canivete partido. 


escutamos as palavras
todas, o conforto da guitarra
sobre o rosto enternecido
dos transeuntes;
e chega o dia em que o sorriso,
o abraço, os olhos pequenos
que sobram, já não servem,
como as garrafas de plástico
vazias que andam
à deriva e chegam à costa
como um estorvo;
um resto urbano
nas margens do silêncio.
um resíduo  decrépito
que se leva para longe
porque ocupa o espaço
concreto da
incólume beleza do mundo.

domingo, 4 de janeiro de 2015

Plasmólise



O poema endógeno;
o amor de um deus
que não passa recibos;
não pede abraços
em casas de alterne.
o barulho ténue desta
agulha de vertigem
que me aconchega
enquanto tiro a camisa
rasgada e abro a torneira
da água quente.

sou o moço de recados
da desordem; operador
de consoantes inférteis;
traficante de quotidiano
e sumo de limão.