segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Gourd vol. 2

Every night
there’s an
empty box;
this half-empty bed
to fulfill with
dreams or 
methamphetamine.

I choose both.


repeat]

quinta-feira, 8 de outubro de 2015

não se vende fiado



tens os dedos compridos.
reparo nisso enquanto
sorris e escreves a
lista de compras
para amanhã;
no fim do papel
o meu nome em
letras pequenas.
este meio-corpo em
pedaços num talho
de esquina a gritar
o desespero de não
saber a palavra certa
para dizer que te amo.

quarta-feira, 16 de setembro de 2015

literatura de garagem


a chávena partida;
a chaleira ao lume
com uma espécie
de carne a decompor-se
em banho-maria.
uma multidão de silêncio
e o espaço do desespero
ao centro;
numa arena de vidros
lascados e animais
ébrios de viver.
quando ainda
acreditas no amor;
e a luz que te
separa da escuridão
já só reflecte o peso
de uma vontade
de não ocupar
o espaço e o tempo
permanentemente;
quando dentro dos
olhos há uma memória
apenas de aves que
migram; de deuses
que vertem.
talvez seja tempo
de te vestires;
deixares um bilhete
rasgado com um
alfinete de dama.
um voto de pesar
pelo corpo
pós-moderno
de uma criança
a envelhecer.

segunda-feira, 7 de setembro de 2015

wonderland


it is the right time
to commit every
possible mistake.
and
it’s the ravel of
doing so;
the embarrassment of
drowning
impossibly that
postpones death
with awe.
not the falling of god
but its inability to
create without killing.
(an horror movie
so full of laughter
of joy
and hope, holding
my hand like a clown
holding a children
with a knife on the
chest)
I spend the night
writing short stories
about borders.
about god - demons -
mostly.
the best way to
explain that
while we say
I love you
we say
I’m sorry. 


the sound
of a tuneless
piano; a raft
to cross the
flames of peace;

and back again.


sábado, 15 de agosto de 2015

short carrot



my head;
the ankles of
a dead stranger
tied to a ceiling
beam inside a
secluded heart.
the eyebrows
falling and dancing
like snowflakes;
like god: its
arms open
to strangle the
corpses; to
squish the sin
out of a closed
chest;
a crushed
empty oyster
designing the
room of Seth.
my head;
the ceiling
fastened to the
dancing oyster
in a snowflake;
falling blind
through space;
time.
the eye of horus
under my feet.
squished.
remember
my name when
you stare at
the sun;
the useless eyes
will be your friends. 


truth or wisdom?

sábado, 1 de agosto de 2015

mini-milk



o ferro que arde
sobre a cama de
velcro esculpe o
meu corpo à
semelhança do
teu. o estarrecido
simpósio do vento
nas margens de
cedro. os dedos
putrefactos a
tentar fechar os
olhos de um filho
que morre e
um poema que
acaba e verte
o barulho de uma
cidade de retalhos;
os pedaços
de mim e de ti
dançam desconexos
na fachada de
um palácio perdido
pela noite dentro;
a voz fechada
de um pai que desiste;
que baixa os braços
porque o amor,
a incondicionalidade
de querer tanto
um abraço que
estrangule;
uma gravata
que aguente o
peso que ainda resta
num corpo vazio.
um copo vazio
para que os estilhaços, 
no mínimo.

sexta-feira, 31 de julho de 2015

arrancar as unhas. os cedros



tenho monstros debaixo
da cama, crianças com
cutelos e bonecas sem
cabeça a rebolar pelas
chamas. as cinzas do
tempo em que os
monstros e as crianças
dançavam atrás do
cortinado verde;
em que o pânico
sem sentido se afogava
em que as chamas
se apagavam no lugar
em que a lâmina
reflectia o medo
atrás das costas;
os vidros a derreter
com o calor dos teus
olhos,
ainda.
hoje é segunda-feira;
é quinta. é a dor que
se apaga com cinzas
mas o vento.